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sábado, 25 de junho de 2011

LL.M numa perspectiva global: Global Legal Education Report do Financial Times

Não sei bem como cheguei lá, já que estava buscando a programação do Matadero, mas dei uma rápida lida há pouco no Global Legal Education Report do Financial Times. Primeiro, para acesso um pouco mais aberto às páginas do Financial times, você terá que fazer um registro, que é gratuito e lhe dá acesso a uma quantidade limitada de páginas do periódico, mas que seria suficiente para ler o report.

Li uma reportagem interessante, que na realidade era o testemunho de um jurista (sentido lusitano da palavra, que quer dizer "profissional do Direito", faz favoire) graduado na Oxford University e que, ao buscar estudos de pós-graduação, decidiu que queria algo de civil law e, neste âmbito, decidiu-se pelo LL.M. da Universidade Católica Portuguesa. Ou, no seu nome de mercado, Catolica Global School of Law. Ele fala um pouco da sua experiência em Lisboa, como era seu dia-a-dia, como foi uma das aulas que encontrou na faculdade e em quais skills o treinaram.

A existência do programa em si e o fato de ser o único programa em língua portuguesa listado em uma análise de um veículo respeitado já lhe garante um grande mérito por colocar nossa língua em evidência para profissionals internacionalizados. Além disso, quero enfatizar também que creio na qualidade do ensino e dos bons profissionais que lá devem lecionar, que, em uma vista rápida, me pareceu ser bastante práticos para nós, advogados. O programa da Católica Portuguesa é todo ensinado em inglês, mas, ainda assim, acho que para nós, de fala portuguesa, sempre é mais interessante viver o contrário: um ambiente de língua inglesa e de common law.

Como em todos esses rankings, há muitas universidades dos Estados Unidos, algumas do Reino Unido e umas de outros países. Dos íbero-americanos, a despeito da crescente importância do Brasil no cenário global, só há Espanha (IE e IESE) e Portugal (Católica).

Além da matéria que mencionei, há outras que, pelo título, sugerem assuntos muito interessantes, como são a "Points to consider when applying for an LLM" e a "Careers: specialisation might be the key to long-term success". Em resumo, aconselho àqueles que possam que dêem uma lida na página, que é de todo interessante.

Este blog é diariamente acessado por pessoas de pelo menos 5 diferentes países, às vezes mais. Já recebi algumas mensagens de profissionais ou estudantes de outros lugares perguntando sobre conselhos de programas de pós-graduação no Brasil e, infelizmente, sempre fico com isso na cabeça: com todo o interesse que o mundo tem no Brasil e excelentes profissionais com formação e experiência internacional que temos, por quê não há um programa de ponta em Direito Empresarial totalmente lecionado em inglês?

Caso alguém saiba ou queira montar um, por favor me avise! Estou preparando mais uma vez minhas malas, desta vez para passar mais tempo do ano no Brasil do que pelo lado de cá do Atlântico...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ranking de programas de "master" na Espanha

Há algum tempo, o El Mundo, um dos mais conceituados jornais da Espanha, publicou um ranking dos 250 melhores programas de mestrado ("master") da Espanha 2007-2008, dividido entre 14 áreas do conhecimento, que, melhor contextualizando, poderíamos chamar de áreas de trabalho (a frase de entrada da página do ranking é "para encontrar um trabalho melhor").

Apesar d'eu particularmente ter alguma relutância com esses rankings, são uma das poucas referências para quem não tem a oportunidade de conversar diretamente com pessoas da respectiva área, na própria Espanha. Li os 26 critérios utilizados pelo ranking El Mundo para avalizar os programas e os achei bastante interessante.

O prático em detrimento do teórico

Um aspecto me chamou atenção (positivamente): a primazia do prático em detrimento do teórico. No final das contas, o aluno quer saber o que o curso vai lhe adicionar na vida prática, e isso se encontra retratado em pelo menos 10 dos critérios utilizados (principalmente grupos C e D). Não apenas o nível dos pesquisadores existentes no departamento e quantidade de publicações que têm, dentre outros critérios normalmente utilizados no Brasil e que, no mais das vezes, muito pouco repercutem na vida do alunado.

Tenho consciência de que é uma visão particular minha, mas acredito que o conhecimento deve ser focado principalmente na melhoria da vida das pessoas, no crescimento econômico, na sua aplicação prática. Conhecimento pelo conhecimento não gera riqueza nem faz crescer um país.

Ranking de Mestrado em Direito Empresarial na Espanha

Voltando ao ranking e puxando a sardinha para a área de Direito Empresarial, que é onde posso emitir alguma opinião que valha a pena ser ouvida, achei que o ranking fez jus aos programas escolhidos.

O primeiro lugar ficou com o MDE (Master en Derecho de Empresa) do programa C2 de excelência da Universidad de Navarra. Em meados de 2008, conheci pessoalmente a instituição. Guiado por uma funcionária da Universidade, conheci algumas salas da Faculdade de Direito (por coincidência postei uma foto no último post). Me facultaram acesso à biblioteca e até dei uma parada de alguns quartos de hora para dar uma lida em alguns livros da minha área. Fiquei muito bem impressionado com o que vi, tudo muito bem organizado e de primeira.

Eu também tinha uma impressão muito boa deste programa mestrado, que tem um aproveitamento de 99% no mercado daqueles que o terminam. Seu primeiro lugar no ranking me parece fazer jus à fama da Universidade.

Apesar de não conhecer o Instituto de Empresa, que tirou o segundo lugar, sua fama o precede. É um centro de excelência em formação empresarial, algo parecido com o Ibmec e a FGV no Brasil, e goza de um alto prestígio no país.

O terceiro colocado, Centro de Estudios Garrigues, não fica atrás. Garrigues é, grosso modo, o Pinheiro Neto da Espanha e atualmente considerado o maior escritório de assessoria fiscal da Europa. Tem um centro de estudos de alto nível, que faturou o terceiro lugar nesta colocação. Mais uma vez, teoria + prática = alto rendimento e reconhecimento no mercado.

Para não me alongar ainda mais, já que não conheço os demais, segue abaixo o ranking do Masters en Derecho de Empresa, copiado da página do El Mundo.

1. Derecho de Empresa
ESCUELA: Universidad de Navarra / SEDE: Pamplona / TELÉFONO: 948 425 620 / WEB: http://www.unav.es/2c / PROFESORES: 31 / PLAZAS: 20 / DURACIÓN: 1.600 horas / PRECIO: 13.800 €
Celebra ya su vigésima edición y ahora ha transformado su programa en oficial. Incluye prácticas en empresas, aunque los alumnos que se colocan antes de terminar el curso (99%) pueden conmutarlas por una estancia de investigación en universidades extranjeras o por prácticas en despachos de China.

2. Asesoría Jurídica de Empresa
ESCUELA: Instituto de Empresa / SEDE: Madrid / TELÉFONO: 91 568 96 10 / WEB: http://www.maj.ie.edu/ / PROFESORES: 60 / PLAZAS: 100 / DURACIÓN: 790 horas / PRECIO: 25.000 €
El prestigio internacional de la escuela y sus elevados índices de inserción laboral (el 45% de los alumnos de este máster se coloca antes de acabar) están detrás de su alta demanda. Se pueden escoger asignaturas en inglés.

3. Derecho Empresarial
ESCUELA: Centro de Estudios Garrigues / SEDE: Madrid / TELÉFONO: 91 514 53 30 / WEB: http://www.centrogarrigues.com/ / PROFESORES: 275/ PLAZAS: 40 / DURACIÓN: 1.210 horas / PRECIO: 19.000 €
El programa incluye 480 horas de prácticas remuneradas (unos tres meses) y un trabajo final de máster. Sus índices de inserción laboral son buenos y, además, la escuela los hace públicos.

4. Asesoría Jurídica de Empresa
ESCUELA: Universidad de Valencia / WEB: http://www.adeit.uv.es/
Celebrará su novena edición. Cuesta 4.500 euros y tiene una duración de 500 horas.

5. Asesoría Jurídica de Empresa
ESCUELA: Fundesem Business School / WEB: http://www.fundesem.es/
Dura 1.035 horas y tiene acuerdos de intercambio con universidades internacionales.